Perseguindo outras interfaces, encontramos as esculturas com penas de aves de Kate MaccGwire. Contribuição: Iran Moreira.




O trabalho trilha uma linha entre a matéria e o espírito. Em sua concepção trama ciência, arte e seus conceitos. Apropria-se da matéria na representação da figura humana e faz uso dos princípios da termodinâmica e suas possíveis associações. A consolidação de um conjunto de trabalhos articulados na construção de um sentido único, “o sentido da vida”, parte de um módulo que se multiplica e ao se multiplicar transforma, reconstrói seu significado, colocando-se sempre em uma linha de interface.
A primeira caligrafia é o desenho. É como penso e escrevo o mundo. É lembrança que produz (cria) um gesto, uma forma, uma cor. É a escrita da infância-adulta que cria o mundo e não apenas o reproduz.
A linha, em movimentos circulares, erupções, traços dinâmicos e mutantes, forma galáxias, ondas, mares. São marcas de um mergulho, são garatujas de sensações – a idéia de fluxo persegue e percorre o desenho.
O colecionador, durante o percurso, tem como objetivo reter, guardar e possuir. Segundo Walter Benjamin, mesmo em hábitos aparentemente inócuos, como colecionar livros infantis, há algo que esconder e racionalizar, e poucos serão os que, em resposta à pergunta – por que você coleciona? –, darão uma resposta sincera. Arrogância, solidão, amargura – muitas vezes esse é o lado noturno de muitos colecionadores cultos e bem-sucedidos. No entanto, cada elemento que constitui uma coleção, representa parte de um todo, nesse sentido, esses elos não podem se romper, pois constituem parte de uma caminhada, da construção de uma vida.
Figuras femininas em busca de si mesmas, encontro íntimo. O feminino declarado em formas inusitadas. Figuras prontas para evocar imagens, lembranças, desejos e resistências anímicas.